domingo, 17 de maio de 2026

 


Frankenstein (2025):
 Uma leitura psicológica e existencial

O verdadeiro monstro não é quem você pensa.

Inspirado em Frankenstein, o filme nos convida a ir além do horror…
e encarar algo profundamente humano: a falta de vínculo. Victor Frankenstein cria a vida — mas não sustenta o vínculo com aquilo que criou.

Na perspectiva existencial, liberdade e responsabilidade são inseparáveis. Ao negar sua responsabilidade, ele tenta fugir da angústia… mas cria consequências emocionais devastadoras.

A criatura não nasce monstro. Ela se torna — na ausência de cuidado.

Liberdade:

A criatura é livre para existir… mas não para pertencer. Esse é o seu paradoxo. Sem reconhecimento, a liberdade pesa. Ela deixa de ser potência — e se torna angústia e desamparo.

Liberdade sem vínculo não sustenta a existência.

Sentido da vida:

A criatura observa, aprende, tenta se conectar… Ela quer pertencer. Aqui, dialogamos com Viktor Frankl: o sentido não é dado — ele é construído na relação com o mundo e com o outro.

Quando todas as tentativas falham, o sentido colapsa. E o vazio pode se transformar em dor… e até em violência.

Apego (Teoria do Apego):

Segundo John Bowlby, precisamos de uma base segura para nos desenvolver emocionalmente. A criatura nunca teve isso.

Sem vínculo inicial:

– não há regulação emocional
– não há segurança
– não há confiança

O que vemos é dor, desorganização e um desespero profundo por conexão. Ela busca proximidade…mas responde com medo e raiva à rejeição.

Pertencimento, identidade e amor:

O maior sofrimento não é ser diferente… é não ser aceito. O pertencimento não depende só de quem somos, mas de como somos reconhecidos. A identidade da criatura nasce no olhar do outro.Quando o mundo diz “monstro”, ela aprende a ser.

 


Análise de Personagem: The Sandman (Episódio "Morte: O Alto Preço da Vida")

No arco baseado em "Morte: O Alto Preço da Vida", acompanhamos um jovem chamado Sexton, que se encontra em um estado de profundo vazio existencial. Ele planeja o suicídio e escreve uma nota de despedida, motivado pelo término doloroso com sua namorada, Sylvie. Sob a perspectiva de Sartre, Sexton está em Má-fé, pois acredita ser um fracasso absoluto, como se isso fosse sua essência imutável. Ao dizer a si mesmo: "Eu vou me matar porque a Sylvie me deixou e a vida é injusta", ele nega sua própria liberdade, agindo como se não tivesse escolha e como se a situação fosse impossível de mudar.

Nesse exato momento, Sexton conhece Didi (a Morte em forma humana). Ela afirma ter apenas um dia para viver como mortal e deseja aproveitar cada segundo: comer, conversar com estranhos e ver o mundo. Enquanto Sexton olha para sua vida como um fim, Didi a enxerga como uma oportunidade de experiência intensa. Ela o força a sair do isolamento de seu quarto e o joga no mundo, provocando o que chama de engajamento.

A transformação de Sexton ocorre através da experiência direta com a realidade. Ele se conecta com o outro, sai de sua "bolha" e passa a se importar com Didi. Sexton transita de um espectador passivo da própria dor para um agente ativo que ajuda a resolver problemas ao longo do dia, redescobrindo sua capacidade de agir. A grande lição que a Morte lhe ensina é que a vida é valiosa justamente por que ela termina. 

Ao final, Sexton desiste do suicídio. Para Sartre, ele abandonou seu antigo "Projeto de Ser" (o jovem vítima e incompreendido) e assumiu a responsabilidade por um novo projeto. Ele compreendeu que tem escolha e que é o único responsável por ela. Sexton percebeu, enfim, que não é apenas o "ex-namorado da Sylvie" (uma essência definida pelo passado), mas um homem que decide, a cada momento, o que fazer com seu tempo e sua existência.


sexta-feira, 15 de maio de 2026

 





Por que alguns relacionamentos vivem entre idas e vindas?

O relacionamento entre Ross Geller e Rachel Green, da série Friends, é um dos exemplos mais conhecidos de vínculo afetivo marcado por amor, desencontros emocionais e dificuldades de comunicação. Psicologicamente, eles representam um casal com forte conexão emocional, mas também com inseguranças profundas que acabam sabotando a relação.

Ross: medo de abandono e necessidade de controle

Ross demonstra frequentemente traços de insegurança afetiva. Depois da traição da ex-esposa, ele passa a desenvolver muito ciúme e medo de ser trocado novamente. Isso aparece principalmente quando Rachel começa a crescer profissionalmente.

O ciúme excessivo dele não nasce apenas de “posse”, mas de uma dificuldade emocional em lidar com a possibilidade de perda. Pessoas assim costumam:

  • interpretar independência do parceiro como ameaça;
  • buscar validação constante;
  • tentar controlar situações para diminuir ansiedade emocional.

Ross ama Rachel, mas muitas vezes tenta reduzir a autonomia dela para se sentir seguro.

Rachel: busca por identidade e autonomia

Rachel inicia a série emocionalmente dependente da aprovação externa, mas ao longo do tempo constrói independência, carreira e identidade própria.

Psicologicamente, Rachel representa alguém que:

  • aprende a sair de relações superficiais;
  • começa a reconhecer suas próprias necessidades;
  • percebe que amor não deve exigir abrir mão de si mesma.

O conflito central acontece porque, enquanto Rachel amadurece emocionalmente, Ross tem dificuldade de acompanhar essa transformação sem sentir ameaça.

O padrão “aproxima e afasta”

Grande parte da dinâmica deles gira em torno de:

  • medo de perder;
  • dificuldade de comunicação;
  • idealização do relacionamento;
  • conflitos não resolvidos.

Eles vivem um ciclo clássico de:

  1. aproximação intensa;
  2. insegurança;
  3. brigas impulsivas;
  4. afastamento;
  5. reconciliação emocional.

Isso acontece muito em relacionamentos onde existe forte química emocional, mas pouca segurança afetiva.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

 




ANÁLISE DA TEORIA DO APEGO EM 10 DANCE:


10 Dance é um filme japonês lançado na Netflix, baseado no mangá BL (Boys’ Love) de mesmo nome. A história acompanha dois dançarinos profissionais: Shinya Suzuki, especialista em dança de salão, e Shinya Sugiki, focado em danças latinas. Apesar de possuírem estilos e personalidades diferentes, os dois decidem se unir para participar de uma competição que exige o domínio de dez estilos distintos de dança. No entanto, ao longo da preparação e da convivência intensa, eles não imaginavam que entre rivalidade, admiração e parceria surgiria também um sentimento de paixão.

A partir da narrativa do filme e da relação construída entre os personagens, é possível realizaruma análise psicológica de seus comportamentos e vínculos, especialmente à luz da Teoria do Apego,

observando como seus estilos de apego influenciam a forma como se relacionam, lidam com

a proximidade emocional e constroem intimidade.


A Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby e ampliada por Mary Ainsworth, postula que as experiências precoces de vínculo influenciam a forma como os indivíduos se relacionam afetivamente ao longo da vida. Esses padrões internalizados, denominados Modelos Operantes Internos, orientam expectativas, emoções e comportamentos nos relacionamentos interpessoais. 


Shinya Suzuki: Apego Evitativo (Desdenhoso)


Shinya Suzuki apresenta características consistentes com o apego evitativo. Ele demonstra elevado autocontrole emocional, dificuldade em expressar sentimentos e tendência à manutenção de distância afetiva. Ao longo da narrativa, observa-se que Suzuki privilegia a técnica, a disciplina e o desempenho, utilizando esses elementos como formas de organização psíquica e defesa contra a intimidade emocional.


Modelo Operante Interno de Suzuki

  • Modelo de si: percepção de si como autossuficiente, com crença de que demonstrar vulnerabilidade representa fraqueza.
  • Modelo do outro: o outro é percebido como potencialmente invasivo que desorganiza sua estrutura
  • Estratégia de apego: desativação emocional, com supressão de afetos e evitação da dependência relacional.

Shinya Sugiki: Apego Ansioso (Preocupado)

Em contraste, Shinya Sugiki apresenta um padrão compatível com o apego ansioso. O personagem é expressivo, emocionalmente disponível e busca proximidade afetiva, validação e reciprocidade na relação. Sua postura relacional revela sensibilidade intensa aos sinais de afastamento de Suzuki, o que desencadeia insegurança e sofrimento emocional.

Modelo Operante Interno de Sugiki

  • Modelo de si: percepção de si como potencialmente insuficiente ou não plenamente digno de ser escolhido.

  • Modelo do outro: o outro é valorizado, porém percebido como instável ou emocionalmente indisponível.

  • Estratégia de apego: hiperativação emocional, caracterizada pela busca constante de sinais de aceitação e proximidade.

Dinâmica Relacional entre os Personagens

A interação entre Suzuki e Sugiki exemplifica a dinâmica clássica entre apego evitativo e apego ansioso, descrita na literatura como uma relação de mútua ativação e frustração dos sistemas de apego. Enquanto Suzuki intensifica a busca por conexão, Sugiki responde com retraimento emocional, o que reforça a insegurança do primeiro.

Entretanto, a dança surge como um espaço simbólico e relacional que possibilita a construção gradual de confiança e reconhecimento mútuo. A comunicação corporal e a parceria artística funcionam como mediadores do vínculo, permitindo a ambos experimentar formas mais seguras de intimidade. Ao longo da narrativa, observa-se um movimento de flexibilização dos padrões de apego, indicando a possibilidade de transformação dos Modelos Operantes Internos por meio de relações significativas na vida adulta.

















CÁSSIA CRISTINE CALEGARI
Psicóloga Clínica/ CRP 12/30211
Ansiedade, Autoestima, Relacionamentos

Prazer, sou Cássia Cristine Calegari, psicóloga apaixonada por literatura, filosofia e história. Amo ler, explorar ideias e compreender as complexidades humanas através da arte, da cultura e das relações. Sou curiosa, dedicada e sonhadora. Também tenho meu lado nerd: gosto de animes, universo Marvel e DC, elementos que despertam meu interesse por narrativas, simbolismos e pela profundidade dos personagens.

Sou formada em Psicologia pela UNISOCIESC e possuo abordagem em Fenomenologia Existencial, buscando compreender cada indivíduo em sua singularidade, experiência e forma de existir no mundo. Minha atuação é pautada na escuta acolhedora, reflexão e construção de sentido diante das vivências humanas.

Também possuo certificados em cursos como Introdução à Análise do Comportamento, Introdução à Psicologia do Desenvolvimento, Introdução à Teoria do Apego e Introdução à Psicologia Organizacional e do Trabalho, realizados pela plataforma SER PSICÓLOGO.


Atendimento Psicológico:

Muita gente acha que terapia é apenas "dar conselhos" ou que o psicólogo vai dizer o que você deve fazer.

Na verdade, é um processo de construção. Eu não te dou as respostas. Eu te ajudo a olhar para a sua vida de uma forma que você ainda não conseguiu.

"É UM ESPAÇO DE LIBERDADE"

A psicoterapia é um espaço seguro de escuta, acolhimento e cuidado, onde você pode se expressar com liberdade, sem julgamentos e com total sigilo.

Os atendimentos são realizados de forma totalmente online, no conforto da sua casa, proporcionando um ambiente acolhedor e reservado para que você possa falar sobre suas vivências, emoções e dificuldades com tranquilidade. As sessões possuem duração média de 50 minutos.

Trabalho com a abordagem Fenomenológico-Existencial, voltada para a compreensão da sua singularidade, liberdade, responsabilidades e construção de sentido diante da vida. O processo terapêutico respeita o seu tempo, sua história e a maneira única como você o mundo.

                     




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