ANÁLISE DA TEORIA DO APEGO EM 10 DANCE:
10 Dance é um filme japonês lançado na Netflix, baseado no mangá BL (Boys’ Love) de mesmo nome. A história acompanha dois dançarinos profissionais: Shinya Suzuki, especialista em dança de salão, e Shinya Sugiki, focado em danças latinas. Apesar de possuírem estilos e personalidades diferentes, os dois decidem se unir para participar de uma competição que exige o domínio de dez estilos distintos de dança. No entanto, ao longo da preparação e da convivência intensa, eles não imaginavam que entre rivalidade, admiração e parceria surgiria também um sentimento de paixão.
A partir da narrativa do filme e da relação construída entre os personagens, é possível realizaruma análise psicológica de seus comportamentos e vínculos, especialmente à luz da Teoria do Apego,
observando como seus estilos de apego influenciam a forma como se relacionam, lidam com
a proximidade emocional e constroem intimidade.
A Teoria do Apego, desenvolvida por John Bowlby e ampliada por Mary Ainsworth, postula que as experiências precoces de vínculo influenciam a forma como os indivíduos se relacionam afetivamente ao longo da vida. Esses padrões internalizados, denominados Modelos Operantes Internos, orientam expectativas, emoções e comportamentos nos relacionamentos interpessoais.
Shinya Suzuki: Apego Evitativo (Desdenhoso)
Shinya Suzuki apresenta características consistentes com o apego evitativo. Ele demonstra elevado autocontrole emocional, dificuldade em expressar sentimentos e tendência à manutenção de distância afetiva. Ao longo da narrativa, observa-se que Suzuki privilegia a técnica, a disciplina e o desempenho, utilizando esses elementos como formas de organização psíquica e defesa contra a intimidade emocional.
Modelo Operante Interno de Suzuki
- Modelo de si: percepção de si como autossuficiente, com crença de que demonstrar vulnerabilidade representa fraqueza.
- Modelo do outro: o outro é percebido como potencialmente invasivo que desorganiza sua estrutura
- Estratégia de apego: desativação emocional, com supressão de afetos e evitação da dependência relacional.
Shinya Sugiki: Apego Ansioso (Preocupado)
Em contraste, Shinya Sugiki apresenta um padrão compatível com o apego ansioso. O personagem é expressivo, emocionalmente disponível e busca proximidade afetiva, validação e reciprocidade na relação. Sua postura relacional revela sensibilidade intensa aos sinais de afastamento de Suzuki, o que desencadeia insegurança e sofrimento emocional.
Modelo Operante Interno de Sugiki
Modelo de si: percepção de si como potencialmente insuficiente ou não plenamente digno de ser escolhido.
Modelo do outro: o outro é valorizado, porém percebido como instável ou emocionalmente indisponível.
Estratégia de apego: hiperativação emocional, caracterizada pela busca constante de sinais de aceitação e proximidade.
Dinâmica Relacional entre os Personagens
A interação entre Suzuki e Sugiki exemplifica a dinâmica clássica entre apego evitativo e apego ansioso, descrita na literatura como uma relação de mútua ativação e frustração dos sistemas de apego. Enquanto Suzuki intensifica a busca por conexão, Sugiki responde com retraimento emocional, o que reforça a insegurança do primeiro.
Entretanto, a dança surge como um espaço simbólico e relacional que possibilita a construção gradual de confiança e reconhecimento mútuo. A comunicação corporal e a parceria artística funcionam como mediadores do vínculo, permitindo a ambos experimentar formas mais seguras de intimidade. Ao longo da narrativa, observa-se um movimento de flexibilização dos padrões de apego, indicando a possibilidade de transformação dos Modelos Operantes Internos por meio de relações significativas na vida adulta.
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